Texto para teatro 2 - Fábula de Monteiro Lobato: o leão, o lobo e a raposa

Turma do Projeto Guisado da Leitura, preparados para apresentar uma das fábulas do Monteiro Lobato.

O LEÃO, O LOBO E A RAPOSA - MONTEIRO LOBATO

(Ao som da música de Dona Benta, ela entra e assenta em uma cadeira de balanço.)
D. BENTA: _Neste mundo, muita coisa eu já vi! Saci, Curupira, Cuca, Boneca de pano falante...
(Ao som da música de Emília, ela sai de um baú, cheio de panos)
EMÍLIA: _Falando da minha pessoa dona Benta?!

D. BENTA: _Emília! Que bom que chegou. Estou aqui fazendo uma pequena avaliação das fábulas que conheço e como elas são importantes.

(Entra Pedrinho e Narizinho discutindo o que é fábula.)
PEDRINHO: _Narizinho não seja tão teimosa, as fábulas nos ensina de forma suave aquilo que não conseguimos perceber entre uma atitude e outra.

NARIZINHO: _Eu sei disso Pedrinho, não estou teimando com relação a isto. Olha a vovó com a Emília, aposto que estão falando de mil coisas interessantes.

(Ao som da música de Visconde entra Visconde de Sabugosa.)
VISCONDE: _Olá garotos! A vovó Benta pode nos contar muitas coisas das fábulas, ou melhor, quem sabe até algumas fábulas.

 EMÍLIA: _Sentem todos, estou justamente interessada em escutar a dona Benta contar suas  histórias. Sem falar que nesse mundo mágico em que vivemos, criaturas interessantes nos ensinam a prática do bem conviver o tempo todo.

 D. BENTA: _ Crianças vamos fazer uma linda viagem pelo mundo encantado das fábulas. Vou mostrar para vocês que lá os animais têm um jeito todo especial de fazer as coisas acontecerem.

EMILIA, PEDRINHO, VISCONDE, NARIZINHO:_ Obá...

 D. BENTA: _ Irei contar para vocês a fábula: O LEÃO, O LOBO, A RAPOSA.
    Certa vez um leão muito velho e já caduco, andava no morre e não morre. Mas apegado à vida e sempre esperançado, deu uma ordem aos animais para que o visitassem e lhe ensinassem remédios para curar seu mau. Assim sendo, as coisas começaram a acontecer. A bicharada inteira começou a fazer desfile para visitar o rei lhe dar receitas ou conselhos.

(Com uma música que fale sobre leão, aproxima-se do leão, bem devagar parecendo doente, senta-se em seu trono.)

(Ao som de música que fala sobre coelho, entra o coelho com ramos na mão.)
COELHO:  _Olá vossa majestade, vim lhe trazer esses ramos para fazer um chá. Essa é a planta da longevidade, vai deixar o seu DNA novinho, novinho. Espero que o senhor se sinta melhor depois de beber um grande copo. Até mais ver. Tchau.

(Ao som de música que fala sobre onça, ela chega. No momento em que a coelha está saindo ela encontra com a onça.)
ONÇA:_ Olá amiga coelha espere-me, vou te dar uma carona, assim a senhora chegará mais rápido a sua casa, deixa só eu entregar à majestade o seu precioso remédio.

(Enquanto a onça entrega o remédio para o leão, a coelha diz:)
COELHA._ Ela pensa que eu sou besta. Vou mostrá-la quem é mais inteligente aqui!
(sai correndo)

(Entra o macaco, com uma música bem animada, com um remédio nas mãos.)
MACACO: _Majestade, majestade, vim lhe dar alguns conselhos, mas levei um susto tão grande ao ver a coelha e a onça saírem juntas que esqueci o que ia dizer-lhe. Elas são amigas agora? O senhor ordenou amizade entre elas?

 LEÃO._ Calma macaco! O interessante daquela história é que a onça sempre se dá mal. (risos) Antes de ir embora macaco me responda, onde anda a raposa e o lobo que até agora não vieram me visitar?

MACACO: _ Já estou indo vossa majestade, ali está vindo o lobo, pergunte a ele, saberá lhe responder melhor. Tchau, se cuida.

LEÃO: _Tchau macaco.

(Entra o lobo, todo sorrateiro, com fundo musical sobre lobo. )
LEÃO: _ Olá seu lobo, onde anda a raposa, porque ainda não veio me visitar?

 LOBO: _Ah, a raposa majestade! Eu sei. Ela é uma esperta, acha que vossa majestade, morre logo e é bobagem andar e perder tempo com cacos de vida.

(O leão enfurecido anda de um lado para outro)
LEÃO:  _Então é assim que ela me trata. Eu que sou o rei da floresta e que em tudo mando. Vá buscá-la e traga-a  nem que seja debaixo de vara. Diga a ela para não se esquecer que eu sou o rei da floresta.

(O leão senta novamente em seu trono nervoso enquanto o lobo sai.)
(Entra a raposa dançando bem animada a música: A raposa e as uvas.)
(O lobo chega e a segura e fala com ela.)
LOBO: Nossa majestade pede sua presença agora.

(O lobo volta acompanhado da raposa, e a deixa nos pés do leão.)
RAPOSA: _Perdão majestade, não vim antes porque até agora andava em peregrinação pelos oráculos, consultando-os a respeito da doença que abate o ânimo do meu querido rei.  E olhe, não perdi a viagem, visto que lhe traga a única receita que será capaz de curá-lo, produzir melhoras ao seu estado real de saúde.

LEÃO:  _Então diga logo o que é.

(Com ar de ironia olhando para o lobo.)
 RAPOSA:   _É combater a frialdade que entorpece os vossos membros com uma pele de lobo.

LEÃO: _ Pele de lobo?

RAPOSA: _Pele ainda quentinha de um lobo escorchado na horinha. E como está aqui o mestre lobo, súdito fiel de vossa majestade, vai ele sentir um imenso prazer em lhe emprestar a pele ao seu real senhor.

(O leão pega o lobo que olha com ar de desprezo para a raposa e sai. Voltando para o palco com uma pele de lobo sobre o corpo.)
RAPOSA: _Toma lobo, para intrigante, intrigante e meio. Vamos embora majestade, dar um passeio por aí, aposto que já se sente melhor.

EMÍLIA: _Bem feito, essa raposa merece um doce. Com certeza o lobo devia ser o mesmo que comeu a vovozinha e a menina de capinha vermelha.

VISCONDE: _Claro que não, aquele morreu com golpes de machado na cabeça sua boba. Nas historinhas, as matanças nunca matam por completo. O morto nunca que fica bem matado. Já viu quantas vezes o Peter Pan deu cabo no Capitão Gancho? Ele continua cada vez mais gordo e ganchudo.

 D. BENTA: _ Por hoje chega, a raposa astuta encerrou nosso momento de fábulas. Espero que tenham aprendido e gostado.

                                                      Dramatização baseado no livro: Fábulas - Monteiro Lobato

                                  Postado por Cris Arrais.


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